Enferm Bras. 2026;25(3):3295-3308
doi: 10.62827/eb.v25i3.4226

ARTIGO ORIGINAL

Rede de apoio familiar e qualidade de vida da pessoa idosa: Percepções de idosos e cuidadores

Izadora Reis de Carvalho1, João Paulo Soares Fonseca1, Guilherme Luis Nascimento Quintiliano1, Mariane Mariano1, Marllon de Jesus1, Caroline Foster Medeiros1

1Centro Universitário UninCor, Três Corações, MG, Brasil

Recebido em: 11 de Junho de 2026; Aceito em: 10 de Julho de 2026.

Correspondência: Izadora Reis de Carvalho, izadorareis34@gmail.com

Como citar

Carvalho IR, Fonseca JPS, Quintiliano GLN, Mariano M, Jesus M, Medeiros CF. Rede de apoio familiar e qualidade de vida da pessoa idosa: Percepções de idosos e cuidadores. Enferm Bras. 2026;25(3):3295-3308 doi: 10.62827/eb.v25i3.4226.

Resumo

Introdução: O envelhecimento humano é um processo natural, contínuo e irreversível, marcado por transformações biológicas, psicológicas e sociais. Nesse contexto, a rede de apoio familiar e a atuação da enfermagem desempenham papel fundamental na promoção da autonomia, do bem-estar e da qualidade de vida da pessoa idosa. Objetivo: Analisar a influência da rede de apoio familiar na qualidade de vida e no bem-estar da pessoa idosa sob a perspectiva de idosos, cuidadores familiares e cuidadores formais. Métodos: Estudo quantitativo realizado com 15 participantes do sul de Minas Gerais, incluindo cinco idosos, cinco cuidadores familiares e cinco cuidadores formais. Os dados foram coletados por meio de questionário estruturado com questões fechadas e analisados de forma descritiva. Resultados: Na amostra total, predominou o sexo feminino (80%). Entre os cuidadores familiares e formais, prevaleceu idade superior a 45 anos. Entre os idosos, 60% relataram contato diário com familiares, 60% afirmaram receber apoio familiar em momentos de necessidade e 100% reconheceram influência positiva da família no bem-estar emocional. Cuidadores familiares e formais também destacaram a importância do envolvimento familiar para a qualidade de vida da pessoa idosa. Conclusão: A rede de apoio familiar exerce papel fundamental no bem-estar emocional e na redução da solidão dos idosos. Destaca-se ainda a relevância da enfermagem na promoção do cuidado integral, humanizado e no fortalecimento dos vínculos familiares durante o envelhecimento.

Palavras-chave: Envelhecimento; Apoio Familiar; Enfermagem; Qualidade de Vida; Pessoas Idosas.

Family Support Network and Quality of Life of Older Adults: Perceptions of Older Adults and Caregivers

Abstract

Introduction: Human aging is a natural, continuous, and irreversible process, marked by biological, psychological, and social transformations. In this context, the family support network and the role of nursing play a fundamental part in promoting the autonomy, well-being, and quality of life of older adults. Objective: To analyze the influence of the family support network on the quality of life and well-being of older adults from the perspective of older adults, family caregivers, and formal caregivers. Methods: A quantitative study was conducted with 15 participants from southern Minas Gerais, including five older adults, five family caregivers, and five formal caregivers. Data were collected using a structured questionnaire with closed-ended questions and analyzed descriptively. Results: In the total sample, females predominated (80%). Among family and formal caregivers, the majority were over 45 years old. Among older adults, 60% reported daily contact with family members, 60% stated that they received family support in times of need, and 100% recognized a positive influence of family on emotional well-being. Family and formal caregivers also highlighted the importance of family involvement for the quality of life of the elderly person. Conclusion: The family support network plays a fundamental role in the emotional well-being and reduction of loneliness among the elderly. The relevance of nursing in promoting comprehensive, humanized care and strengthening family bonds during aging is also highlighted.

Keywords: Aging; Family Support; Nursing; Quality of Life; Aged.

Red de Apoyo Familiar y Calidad de Vida de las Personas Mayores: Percepciones de las Personas Mayores y los Cuidadores

Resumen

Introducción: El envejecimiento humano es un proceso natural, continuo e irreversible, marcado por transformaciones biológicas, psicológicas y sociales. En este contexto, la red de apoyo familiar y el rol de enfermería desempeñan un papel fundamental en la promoción de la autonomía, el bienestar y la calidad de vida de los adultos mayores. Objetivo: Analizar la influencia de la red de apoyo familiar en la calidad de vida y el bienestar de las personas mayores desde la perspectiva de las personas mayores, los cuidadores familiares y los cuidadores formales. Métodos: Se llevó a cabo un estudio cuantitativo con 15 participantes del sur de Minas Gerais, que incluyó a cinco adultos mayores, cinco cuidadores familiares y cinco cuidadores formales. Los datos se recopilaron mediante un cuestionario estructurado con preguntas cerradas y se analizaron de forma descriptiva. Resultados: En la muestra total, predominaron las mujeres (80%). Entre los cuidadores familiares y formales, la mayoría tenía más de 45 años. Entre los adultos mayores, el 60% reportó contacto diario con miembros de la familia, el 60% afirmó haber recibido apoyo familiar en momentos de necesidad y el 100% reconoció una influencia positiva de la familia en el bienestar emocional. Los cuidadores familiares y profesionales también destacaron la importancia de la participación familiar para la calidad de vida de las personas mayores. Conclusión: La red de apoyo familiar desempeña un papel fundamental en el bienestar emocional y la reducción de la soledad en las personas mayores. Asimismo, se subraya la relevancia de la enfermería para promover una atención integral y humanizada, y para fortalecer los lazos familiares durante el envejecimiento.

Palabras-clave: Envejecimiento; Apoyo Familiar; Enfermería; Calidad de Vida; Personas Mayores.

Introdução

O envelhecimento humano é um processo natural, contínuo e irreversível, marcado pelas transformações biológicas, psicológicas e sociais acumuladas ao longo da vida. Esse processo inclui fases como a senescência e a senilidade, que podem trazer limitações funcionais e desafios à resolução de conflitos, mas não devem ser compreendidas como condições patológicas em si. A forma como cada pessoa envelhece está diretamente relacionada ao seu estilo de vida, sendo favorecida pela manutenção de hábitos saudáveis, engajamento social e práticas de autocuidado, fatores que contribuem para maior autonomia, funcionalidade e bem-estar. Estudos demonstram que a adoção de comportamentos saudáveis ao longo da vida está associada a melhores condições de saúde física e mental, maior independência funcional e melhor qualidade de vida entre idosos [1,2].

No Brasil, o aumento da população idosa é expressivo e constitui um fenômeno demográfico com impacto direto nos sistemas de saúde e de proteção social. Dados recentes apontam que indivíduos com 60 anos ou mais já representam 15,6% da população total, e essa proporção tende a crescer nas próximas décadas [3].

Evidências recentes demonstram que o envelhecimento populacional brasileiro tem se intensificado de forma significativa nas últimas décadas, configurando uma transição demográfica rápida quando comparada a países de alta renda, com impactos diretos sobre os sistemas sociais e de saúde, incluindo aumento da demanda por cuidados prolongados, reorganização dos serviços de saúde e maior pressão sobre políticas públicas de proteção social. Esse cenário impõe importantes desafios, entre eles a prevalência de doenças crônicas, a fragilidade funcional e a possibilidade de dependência parcial ou total, o que exige políticas públicas efetivas e estratégias de cuidado interprofissional [3,4].

Nesse sentido, a legislação brasileira busca assegurar os direitos da pessoa idosa por meio de instrumentos como o Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/2003), que garante proteção à saúde, segurança, autonomia e participação social, reforçando a necessidade de cuidados humanizados e fundamentados em princípios éticos e legais [5].

A qualidade de vida, compreendida como um constructo multidimensional que envolve aspectos físicos, psicológicos e sociais, constitui elemento essencial em todas as etapas da vida. Para os idosos, manter-se ativo, contar com apoio social e preservar a autonomia são fatores determinantes para o envelhecimento saudável. A ausência desses elementos pode ocasionar repercussões negativas, como sintomas depressivos, isolamento social e dificuldades no cuidado de si, inclusive em idosos que desempenham papel de cuidadores [6].

A rede de apoio familiar assume papel central nesse contexto, funcionando como um alicerce para a manutenção da autonomia, da saúde mental e do bem-estar dos idosos. A presença de familiares envolvidos contribui para a redução do isolamento social e prevenção de transtornos psicoemocionais, enquanto a ausência de suporte amplia a vulnerabilidade e demanda maior articulação com serviços de saúde e instituições comunitárias [7].

É essencial que os profissionais de saúde estejam capacitados para acolher a pessoa idosa e seus familiares de forma humanizada, considerando suas vivências e necessidades. A construção de vínculos baseados no respeito, na escuta e na confiança favorece uma assistência mais acolhedora e qualificada durante o cuidado [8]. A enfermagem desempenha papel fundamental e estratégico na promoção do autocuidado, na prevenção do isolamento social e no fortalecimento dos vínculos familiares durante o processo de envelhecimento.

Por meio de ações de educação em saúde, acompanhamento domiciliar e suporte emocional, os enfermeiros capacitam idosos e suas famílias a participarem ativamente do processo de cuidado, favorecendo a autonomia, o engajamento em atividades de saúde e a melhoria da qualidade de vida [9].

Diante do exposto, emerge a seguinte pergunta norteadora: Como a rede de apoio familiar influencia a qualidade de vida e o bem-estar da pessoa idosa durante o processo de envelhecimento, na perspectiva de idosos, cuidadores familiares e cuidadores formais?

Assim, este estudo tem como objetivo analisar a importância da rede de apoio familiar no processo de envelhecimento, bem como o papel da enfermagem na promoção da autonomia e da qualidade de vida de idosos.

Métodos

O estudo adotou uma abordagem metodológica quantitativa, caracterizada pela mensuração de variáveis por meio de instrumentos padronizados e pela possibilidade de generalização dos resultados a partir de análises estatísticas [10]. Essa abordagem permitiu descrever as características dos participantes e analisar aspectos relacionados à rede de apoio familiar e à qualidade de vida da pessoa idosa. Para a coleta de dados, foi utilizado um questionário estruturado composto por questões fechadas, aplicado presencialmente pelos pesquisadores.

Inicialmente, foram coletadas informações sociodemográficas dos participantes, com a finalidade de caracterizar o perfil da amostra e identificar aspectos relacionados ao contexto social, familiar e ao cuidado da pessoa idosa. O instrumento contemplou variáveis como faixa etária, gênero, tempo de atuação no cuidado ao idoso, frequência de contato e participação familiar no cuidado, além da percepção sobre a influência da rede de apoio familiar na qualidade de vida da pessoa idosa.

Na sequência, foram aplicadas questões fechadas relacionadas à frequência do contato familiar, ao apoio recebido em momentos de necessidade, à influência da família no bem-estar emocional, à percepção sobre sentimentos de solidão, à participação familiar no cuidado e à contribuição da rede de apoio para a qualidade de vida da pessoa idosa.

A pesquisa foi realizada com participantes residentes em um município do sul de Minas Gerais. A amostra foi composta por 15 participantes, sendo cinco idosos, cinco cuidadores familiares e cinco cuidadores formais envolvidos no cuidado à pessoa idosa. A seleção ocorreu por amostragem por conveniência, mediante abordagem direta dos pesquisadores por meio de visitas domiciliares. Foram convidados idosos residentes no domicílio, seus familiares e cuidadores formais atuantes no cuidado à pessoa idosa.

Como critérios de inclusão, participaram do estudo pessoas com idade igual ou superior a 18 anos, incluindo idosos com capacidade cognitiva preservada e cuidadores formais ou informais de pessoas idosas, que concordaram em participar da pesquisa mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Os dados obtidos foram organizados em tabelas e analisados por meio de estatística descritiva, utilizando frequências absolutas e relativas, permitindo a caracterização do perfil dos participantes e a descrição das variáveis investigadas relacionadas à rede de apoio familiar e à qualidade de vida da pessoa idosa.

A pesquisa seguiu os princípios éticos estabelecidos pela Lei nº 14.874/2024, que institui o Sistema Nacional de Ética em Pesquisa com Seres Humanos [11], pela Resolução nº 466/2012 [12] e pela Resolução nº 510/2016 [13] do Conselho Nacional de Saúde. O estudo foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário UninCor antes do início da coleta de dados, sob parecer nº 8.292.952 e CAAE nº 96044626.5.0000.0295.

Resultados

De acordo com os dados sociodemográficos obtidos entre os idosos participantes, houve predominância da faixa etária entre 70 e 79 anos (60%), seguida pelas faixas de 60 a 69 anos (20%) e 80 anos ou mais (20%). Quanto aos cuidadores familiares informais, verificou-se predominância de participantes com 45 anos ou mais (60%), seguidos da faixa etária entre 25 e 34 anos (40%). No grupo dos cuidadores formais, observou-se maior frequência de participantes com 45 anos ou mais (80%), enquanto 20% encontravam-se na faixa etária entre 35 e 44 anos.

Em relação ao gênero da amostra total, predominou o sexo feminino, correspondendo a 80% dos participantes, enquanto o sexo masculino representou 20% da amostra.

A tabela 1 apresenta os dados sociodemográficos dos participantes da pesquisa.

Tabela 1 – Dados sociodemográficos dos participantes do estudo, n.15, Três Corações, Minas Gerais, Brasil, 2026.

Variáveis

N.

%

Faixa Etária

Cuidadores familiares informais

25 a 34 anos

02

40%

35 a 44 anos

/

/

>45 anos

03

60%

Cuidadores formais

25 a 34 anos

/

/

35 a 44 anos

01

20%

>45 anos

04

80%

Idosos

60 a 69 anos

01

20%

70 a 79 anos

03

60%

80 anos ou mais

01

20%

Gênero (amostra total)

Feminino

12

80%

Masculino

03

20%

Prefiro não informar

/

/

Fonte: Autores da pesquisa, 2026.

A tabela 2 demonstra que a maioria dos idosos participantes (60%) mantém contato diário com familiares, enquanto 20% relataram contato semanal e 20% raramente recebem visitas ou comunicação familiar. Observou-se também que 60% dos participantes afirmaram sempre contar com apoio familiar em momentos de necessidade, enquanto 40% relataram receber esse apoio às vezes.

Em relação ao bem-estar emocional, todos os idosos participantes (100%) consideraram que a presença da família influencia positivamente sua vida. Quanto aos sentimentos de solidão ou tristeza, 60% relataram senti-los às vezes, 20% afirmaram sentir-se sempre sozinhos ou tristes e 20% relataram nunca apresentar esses sentimentos.

Tabela 2 – Distribuição das respostas dos idosos participantes sobre rede de apoio familiar e qualidade de vida no processo de envelhecimento, n=5, Três Corações, Minas Gerais, Brasil, 2026.

Variáveis

N.

%

Frequência de contato com familiares

Diariamente

03

60%

Semanalmente

01

20%

Raramente

01

20%

Nunca

Apoio familiar em momentos de necessidade

Sempre

03

60%

Às vezes

02

40%

Raramente

/

/

Nunca

/

/

Influência da família no bem-estar emocional

Sim, positivamente

05

100%

Não há diferença

/

/

Sim, negativamente

/

/

Frequência de sentimentos de solidão ou tristeza

Sempre

01

20%

Frequentemente

/

/

Às vezes

03

60%

Nunca

01

20%

Possui uma boa qualidade de vida

Sim

04

80%

Parcialmente

01

20%

Não

/

/

Fonte: Autores da pesquisa, 2026.

A tabela 3 demonstra que a maioria dos cuidadores familiares informais (60%) atua no cuidado ao idoso há mais de 3 anos, enquanto 40% exercem essa função entre 1 e 3 anos. Em relação à participação familiar nos cuidados ao idoso, observou-se que 40% relataram participação diária da família, 20% semanalmente e 40% raramente.

Quanto à influência do apoio familiar no bem-estar emocional do idoso, 60% dos participantes afirmaram perceber influência positiva, enquanto 40% relataram não observar diferença significativa. Em relação à convivência entre cuidadores e familiares, predominou a classificação “muito boa” (60%), seguida de “boa” (20%) e “regular” (20%).

No que se refere à qualidade de vida do idoso associada ao envolvimento familiar, 80% dos participantes consideraram que o idoso apresenta melhor qualidade de vida quando há participação ativa da família, enquanto 20% responderam parcialmente.

Tabela 3 – Distribuição das respostas dos cuidadores familiares informais sobre o cuidado à pessoa idosa e a rede de apoio familiar, n=5, Três Corações, Minas Gerais, Brasil, 2026.

Variáveis

N.

%

Tempo de atuação no cuidado ao idoso

<6 meses

/

/

6 meses a 1 ano

/

/

1 a 3 anos

02

40%

>3 anos

03

60%

Participação familiar nos cuidados ao idoso

Diariamente

02

40%

Semanalmente

01

20%

Raramente

02

40%

Nunca

/

/

Influência do apoio familiar no bem-estar emocional do idoso

Sim, positivamente

03

60%

Não há diferença

02

40%

Sim, negativamente

/

/

Relação entre cuidador e familiares do idoso

Muito boa

03

60%

Boa

01

20%

Regular

01

20%

Ruim

/

/

Qualidade de vida do idoso é melhor quando há envolvimento familiar

Sim

04

80%

Parcialmente

01

20%

Não

/

/

Fonte: Autores da pesquisa, 2026.

A tabela 3 demonstra que a maioria dos cuidadores formais participantes (80%) atua no cuidado à pessoa idosa há mais de 3 anos, enquanto 20% exercem essa função entre 1 e 3 anos. Em relação à participação familiar nos cuidados a pessoa idosa, observou-se que 40% dos participantes relataram acompanhamento diário da família, 40% semanalmente e 20% raramente.

Quanto à influência do apoio familiar no bem-estar emocional do idoso, todos os participantes (100%) afirmaram que a presença e o envolvimento familiar exercem influência positiva. Em relação à convivência entre cuidadores e familiares do idoso, 40% dos profissionais classificaram a relação como muito boa, 20% como boa e 40% como regular.

No que se refere à qualidade de vida do idoso, todos os cuidadores formais participantes (100%) consideraram que o envolvimento familiar ativo contribui positivamente para uma melhor qualidade de vida durante o processo de envelhecimento.

Entre os cuidadores formais, observou-se predominância de profissionais com mais de três anos de atuação no cuidado à pessoa idosa. A maioria relatou participação frequente da família nos cuidados e reconheceu a influência positiva do apoio familiar sobre o bem-estar emocional e a qualidade de vida dos idosos, conforme apresentado na tabela 4.

Tabela 4 – Distribuição das respostas dos cuidadores formais sobre assistência ao idoso e contribuições da enfermagem no processo de envelhecimento, n=5, Três Corações, Minas Gerais, Brasil, 2026.

Variáveis

N.

%

Tempo de atuação no cuidado ao idoso

<6 meses

/

/

6 meses a 1 ano

/

/

1 a 3 anos

01

20%

>3 anos

04

80%

Participação familiar nos cuidados ao idoso

Diariamente

02

40%

Semanalmente

02

40%

Raramente

01

20%

Nunca

/

/

Influência do apoio familiar no bem-estar emocional do idoso

Sim, positivamente

05

100%

Não há diferença

/

/

Sim, negativamente

/

/

Relação entre cuidador e familiares do idoso

Muito boa

02

40%

Boa

01

20%

Regular

02

40%

Ruim

/

/

Qualidade de vida do idoso é melhor quando há envolvimento familiar

Sim

05

100%

Parcialmente

/

/

Não

/

/

Fonte: Autores da pesquisa, 2026.

Os resultados demonstram consenso entre os cuidadores formais quanto à importância da participação familiar no cuidado à pessoa idosa, evidenciando que o envolvimento da família é percebido como fator essencial para a promoção do bem-estar e da qualidade de vida durante o envelhecimento.

Discussão

Os resultados deste estudo evidenciaram a relevância da rede de apoio familiar para a promoção da qualidade de vida da pessoa idosa. A predominância de participantes do sexo feminino, tanto entre os cuidadores familiares quanto entre os cuidadores formais, reforça a feminização do cuidado, fenômeno amplamente descrito na literatura. Historicamente, as mulheres assumem a responsabilidade pelo cuidado de familiares dependentes, refletindo construções sociais e culturais que associam ao gênero feminino funções relacionadas ao acolhimento e à assistência [14].

Observou-se também maior frequência de cuidadores com idade superior a 45 anos. Esse achado pode estar relacionado à maior disponibilidade emocional, experiência de vida e fortalecimento dos vínculos familiares, fatores que favorecem a assunção do papel de cuidador. Além disso, o envelhecimento populacional brasileiro tem ampliado a necessidade de suporte contínuo aos idosos, tornando o cuidado familiar um elemento fundamental para a manutenção da saúde e da autonomia dessa população.

No presente estudo, a maioria dos idosos relatou manter contato frequente com familiares e receber apoio em momentos de necessidade. Tais resultados corroboram pesquisa publicada na Revista da Escola de Enfermagem da USP, que identificou associação positiva entre suporte social, funcionamento familiar e qualidade de vida da pessoa idosa [15]. A convivência familiar favorece o fortalecimento dos vínculos afetivos, proporciona segurança emocional e contribui para o enfrentamento das limitações decorrentes do processo de envelhecimento.

Apesar da percepção positiva em relação ao apoio familiar, parte dos idosos relatou sentir solidão ou tristeza em alguns momentos. Esse resultado demonstra que a presença da família, embora essencial, nem sempre é suficiente para suprir todas as necessidades emocionais da pessoa idosa. Estudos apontam que sentimentos de solidão podem estar relacionados a perdas sociais, redução da autonomia, afastamento de atividades laborais e diminuição das interações interpessoais, fatores frequentemente presentes durante o envelhecimento [16].

Nesse contexto, a rede de apoio familiar desempenha papel protetor importante para a saúde mental da população idosa. A participação ativa dos familiares favorece o desenvolvimento de relações afetivas mais sólidas, reduz o isolamento social e contribui para uma percepção mais positiva da própria vida. Esses fatores estão diretamente relacionados à promoção do bem-estar emocional e à melhoria da qualidade de vida durante o envelhecimento [17].

A percepção dos cuidadores familiares informais reforçou a importância da participação da família no cuidado ao idoso. A maioria dos participantes reconheceu que a qualidade de vida da pessoa idosa é melhor quando existe envolvimento familiar ativo. A literatura destaca que famílias participativas contribuem para a adesão ao tratamento, prevenção de agravos e manutenção da independência funcional do idoso, reduzindo situações de vulnerabilidade física e emocional [18].

Entre os cuidadores formais, observou-se consenso sobre a influência positiva do apoio familiar no bem-estar emocional e na qualidade de vida dos idosos. Esse resultado demonstra que o cuidado efetivo não depende exclusivamente dos serviços de saúde, mas da integração entre familiares, cuidadores e profissionais envolvidos na assistência. Quando essa articulação ocorre de forma adequada, torna-se possível oferecer um cuidado mais humanizado, contínuo e centrado nas necessidades da pessoa idosa [19].

Além disso, a presença familiar possibilita maior monitoramento das necessidades físicas, emocionais e sociais do idoso, favorecendo a continuidade do cuidado e contribuindo para melhores desfechos em saúde [20]. Dessa forma, a família configura-se como um importante componente da rede de atenção à pessoa idosa, atuando em conjunto com os serviços de saúde para promover segurança, conforto e qualidade de vida.

Nesse cenário, destaca-se a atuação da enfermagem como elo entre a pessoa idosa, sua família e os demais profissionais da equipe multiprofissional. A enfermagem desempenha papel fundamental na orientação dos familiares, no acolhimento das demandas emocionais e no desenvolvimento de estratégias que favoreçam o cuidado integral da pessoa idosa [21].

Além das ações assistenciais, a enfermagem atua na coordenação do cuidado, na educação em saúde e no fortalecimento das redes de apoio, contribuindo para uma assistência mais humanizada e resolutiva. Dessa forma, o enfermeiro torna-se um agente fundamental na promoção do envelhecimento saudável, auxiliando tanto a pessoa idosa quanto seus familiares na construção de estratégias que favoreçam a autonomia, o bem-estar e a qualidade de vida [22].

O presente estudo apresenta como limitações o tamanho reduzido da amostra, composta por 15 participantes, o que pode restringir a representatividade dos achados frente à população geral de idosos e cuidadores. Além disso, a utilização de amostragem por conveniência pode ter introduzido viés de seleção, uma vez que a participação esteve condicionada à disponibilidade e aceitação dos indivíduos abordados.

Ressalta-se ainda que a pesquisa foi desenvolvida em um único município do sul de Minas Gerais, o que limita a generalização dos resultados para outros contextos regionais e socioculturais. Considera-se também a possibilidade de viés relacionado ao perfil dos participantes que aceitaram colaborar com o estudo, o que pode ter influenciado a percepção predominante sobre a rede de apoio familiar e a atuação da enfermagem.

Apesar dessas limitações, os achados contribuem para a compreensão da importância da rede de apoio familiar e do papel da enfermagem na promoção da qualidade de vida da pessoa idosa, especialmente em contextos comunitários semelhantes ao investigado.

Conclusão

Conclui-se que a rede de apoio familiar exerce papel fundamental no processo de envelhecimento, contribuindo para o suporte emocional, redução da solidão e fortalecimento do cuidado à pessoa idosa. Os achados demonstraram que a presença da família influencia positivamente o bem-estar e a autonomia dos idosos.

Além disso, evidenciou-se a relevância da enfermagem na promoção do cuidado integral, humanizado e acolhedor, atuando no fortalecimento dos vínculos familiares e no incentivo ao envelhecimento saudável. Dessa forma, destaca-se a importância de estratégias que valorizem a participação da família e a atuação da equipe de enfermagem na assistência à pessoa idosa.

Conflitos de interesse

Não há conflitos de interesse.

Fontes de financiamento

Não houve financiamento.

Contribuição dos autores

Concepção e desenho da pesquisa: Carvalho IR, Medeiros CF, Fonseca JPS, Quintiliano GLN; Coleta de dados: Carvalho IR, Mariano M; Análise e interpretação dos dados: Carvalho IR, Fonseca JPS, Quintiliano GLN; Redação do manuscrito: Carvalho IR, Medeiros CF, Fonseca JPS, Quintiliano GLN, Jesus M; Revisão crítica do manuscrito quanto ao conteúdo intelectual importante: Carvalho IR, Fonseca JPS, Quintiliano GLN, Jesus M.

Declaração sobre o Uso de Inteligência Artificial

Os autores declaram a utilização da ferramenta de inteligência artificial ChatGPT, desenvolvida pela OpenAI, como suporte auxiliar no desenvolvimento deste trabalho. A ferramenta foi utilizada para auxílio na correção gramatical, tradução, organização textual e apoio na estruturação das seções do manuscrito. Todo o conteúdo produzido com auxílio da inteligência artificial foi revisado, analisado criticamente e validado pelos autores, que se responsabilizam integralmente pelas informações apresentadas no estudo.

Referências

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