Enferm Bras. 2026;25(3):3256-3268
doi: 10.62827/eb.v25i3.4223

ARTIGO ORIGINAL

Percepção dos Usuários das Redes Sociais sobre as Orientações em Saúde: Estudo Quantitativo Transversal

Poliana Karolaine de Araujo Silva1, Ana Clara do Nascimento Ramires1, Dara Camila Dutra1, Lorena Stork Nonato1, Mariane Mariano1, Izadora Reis de Carvalho1, Luana Stefane Araujo Silva1, Guilherme Luis Nascimento Quintiliano1

1Centro Universitário UninCor, Três Corações, MG, Brasil

Recebido em: 9 de Junho de 2026; Aceito em: 30 de Junho de 2026.

Correspondência: Poliana Karolaine de Araujo Silva, polianadearaujosilva@gmail.com

Como citar

Silva PKA, Ramires ACN, Dutra DC, Nonato LS, Mariano M, Carvalho IR, Silva LSA, Quintiliano GLN. Percepção dos Usuários das Redes Sociais sobre as Orientações em Saúde: Estudo Quantitativo Transversal. Enferm Bras. 2026;25(3):3256-3268 doi: 10.62827/eb.v25i3.4223.

Resumo

Introdução: O avanço das tecnologias digitais, especialmente das redes sociais, tem ampliado o alcance das ações educativas em saúde, possibilitando que enfermeiros e outros profissionais da saúde compartilhem orientações sobre prevenção de doenças, autocuidado e promoção com públicos mais amplos e diversificados. Objetivo: Descrever como os usuários das redes sociais utilizam e avaliam as informações em saúde divulgadas por profissionais. Métodos: Tratou-se de um estudo transversal, observacional, descritivo, com abordagem quantitativa, realizado com 101 usuários de redes sociais. Os participantes foram recrutados por amostragem em bola de neve (Snowball sampling), por meio de um questionário estruturado na plataforma Google Forms. Foram incluídos indivíduos com 18 anos ou mais, usuários de Instagram, Facebook, WhatsApp e TikTok. A coleta de dados ocorreu entre março e abril de 2026. Resultados: Participaram 101 usuários de redes sociais, sendo 74,3% do sexo masculino. Observou-se que 45,8% buscavam frequentemente informações em saúde nas redes sociais, sendo os sites oficiais as principais fontes (61,5%). Quanto à verificação das informações, 42,7% relataram sempre verificar a veracidade antes de acreditar ou compartilhar o conteúdo, enquanto 25% o faziam ocasionalmente. Além disso, 50% raramente recebiam informações falsas, porém 32,5% relataram essa ocorrência com frequência. Todos os participantes reconheceram a importância de identificar informações falsas para a proteção da saúde, embora 46,9% afirmassem já ter tomado decisões com base exclusivamente em informações obtidas nas redes sociais. Conclusão: As redes sociais desempenham papel relevante na busca por informações em saúde e influenciam a tomada de decisões. Entretanto, persistem desafios relacionados à confiabilidade das informações e ao uso crítico do conteúdo, evidenciando a necessidade de fortalecer estratégias de educação em saúde no ambiente digital.

Palavras-chave: Redes Sociais; Desinformação; Educação em Saúde; Enfermagem.

Social Media Users’ Perception of Health Guidance: A Cross-Sectional Quantitative Study

Abstract

Introduction: The advancement of digital technologies, especially social media, has broadened the reach of health education initiatives, enabling nurses and other health professionals to share guidance on disease prevention, self-care, and health promotion with wider and more diverse audiences. Objective: Describe how social media users utilize and evaluate health information disseminated by professionals. Methods: This was a cross-sectional, observational, descriptive study with a quantitative approach, conducted with 101 social media users. Participants were recruited using snowball sampling through a structured questionnaire on the Google Forms platform. Individuals aged 18 or older, users of Instagram, Facebook, WhatsApp, and TikTok were included. Data collection took place between March and April 2026. Results: 101 social media users participated, 74.3% of whom were male. It was observed that 45.8% frequently sought health information on social media, with official websites being the main sources (61.5%). Regarding information verification, 42.7% reported always verifying the veracity of information before believing or sharing it, while 25% did so occasionally. Furthermore, 50% rarely received false information, but 32.5% reported this occurring frequently. All participants recognized the importance of identifying false information for health protection, although 46.9% stated they had already made decisions based exclusively on information obtained from social media. Conclusion: Social media plays a relevant role in the search for health information and influences decision-making. However, challenges related to the reliability of information and the critical use of content persist, highlighting the need to strengthen health education strategies in the digital environment.

Keywords: Social Networks; Disinformation; Health Education; Nursing.

Percepción de los usuarios de redes sociales sobre las recomendaciones de salud: Un Estudio Cuantitativo Transversal

Resumen

Introducción: El avance de las tecnologías digitales, especialmente las redes sociales, ha ampliado el alcance de las iniciativas de educación para la salud, permitiendo a las enfermeras y otros profesionales de la salud compartir orientación sobre prevención de enfermedades, autocuidado y promoción de la salud con audiencias más amplias y diversas. Objetivo: Describe cómo los usuarios de las redes sociales utilizan y evalúan la información de salud difundida por los profesionales. Métodos: Este fue un estudio transversal, observacional, descriptivo con un enfoque cuantitativo, realizado con 101 usuarios de redes sociales. Los participantes fueron reclutados mediante muestreo en cadena a través de un cuestionario estructurado en la plataforma Google Forms. Se incluyeron personas mayores de 18 años, usuarias de Instagram, Facebook, WhatsApp y TikTok. La recopilación de datos tuvo lugar entre marzo y abril de 2026. Resultados: Participaron 101 usuarios de redes sociales, el 74,3% correspondía al sexo masculino. Se observó que el 45,8% buscaba frecuentemente información de salud en redes sociales, siendo los sitios web oficiales las principales fuentes (61,5%). En cuanto a la verificación de la información, el 42,7% afirmó verificar siempre su veracidad antes de creerla o compartirla, mientras que el 25% lo hacía ocasionalmente. Asimismo, el 50% rara vez recibía información falsa, pero el 32,5% indicó que esto ocurría con frecuencia. Todos los participantes reconocieron la importancia de identificar la información falsa para la protección de la salud, si bien el 46,9% afirmó haber tomado decisiones basándose exclusivamente en información obtenida de las redes sociales. Conclusión: Las redes sociales desempeñan un papel relevante en la búsqueda de información sobre salud e influyen en la toma de decisiones. Sin embargo, persisten los desafíos relacionados con la fiabilidad de la información y el uso crítico del contenido, lo que subraya la necesidad de fortalecer las estrategias de educación para la salud en el entorno digital.

Palabras-clave: Redes Sociales; Desinformación; Educación para la Salud; Enfermería.

Introdução

O avanço das tecnologias digitais e a popularização da internet modificaram a forma de acesso às informações em saúde. Nesse cenário, as redes sociais tornaram-se importantes meios de divulgação de conteúdos sobre prevenção de doenças, promoção da saúde e hábitos saudáveis, alcançando um público cada vez mais amplo por meio de plataformas como Instagram, Facebook, WhatsApp e TikTok [1].

As redes sociais apresentam potencial para ampliar o alcance das ações de educação em saúde, favorecendo a aproximação entre profissionais da saúde e a população. A utilização dessas plataformas permite a divulgação de conteúdos educativos em formatos diversificados, como vídeos, imagens, infográficos e transmissões ao vivo, tornando a comunicação mais dinâmica e compreensível [2].

Entre as redes sociais mais acessadas pela população brasileira, destacam-se o WhatsApp, Instagram, Facebook e TikTok, plataformas que apresentam elevado número de usuários e grande capacidade de compartilhamento de conteúdo. Dados do relatório Digital 2025 indicam que essas ferramentas são amplamente utilizadas para comunicação, entretenimento e busca de informações, consolidando-se como importantes canais de circulação de conteúdos relacionados à saúde [3].

Em termos de práticas da enfermagem, há estudos que descrevem como enfermeiros utilizam ações educativas presenciais e digitais para ampliar o diálogo com a comunidade [4]. Essas estratégias possibilitam maior aproximação entre profissionais e usuários, fortalecendo vínculos e promovendo a corresponsabilidade no cuidado. Além disso, contribuem para a construção de conhecimento coletivo e para a promoção da saúde de forma mais efetiva.

Existe uma discussão ética relacionada ao uso das redes sociais por profissionais de saúde, a qual evidencia desafios referentes à privacidade, à verificação das informações e à responsabilidade profissional [5].

Entretanto, a integração entre saúde e ambiente digital não está isenta de desafios. A proliferação de informações falsas (fake news) constitui um dos principais riscos associados ao uso das redes sociais na área da saúde. A disseminação de conteúdo não verificado pode comprometer a qualidade da informação e colocar em risco a saúde da população. Além disso, aspectos éticos, de privacidade e confiabilidade das informações compartilhadas são preocupações recorrentes nesse contexto [6].

O crescimento do uso das redes sociais consolidou essas plataformas como espaços centrais para a disseminação e o consumo de informações em saúde. A pandemia de COVID-19 intensificou esse processo, destacando tanto o potencial das mídias digitais para a promoção da saúde quanto os riscos associados à circulação de informações de baixa qualidade e à desinformação. Estudo recente aponta que mais de um terço dos usuários de redes sociais percebe altos níveis de desinformação em saúde, e aproximadamente dois terços relatam dificuldade significativa em discernir entre o que é verdadeiro e o que é falso [7].

Na atualidade, os usuários percebem elevada quantidade de conteúdos enganosos ou incorretos nas redes sociais, além de dificuldades em distinguir informações confiáveis das não confiáveis [8]. Esses achados reforçam a importância de compreender como as pessoas recebem, avaliam e utilizam as orientações em saúde veiculadas nesses ambientes digitais.

Outro aspecto relevante refere-se ao perfil dos profissionais que produzem conteúdos de saúde nas redes sociais. Usuários tendem a valorizar profissionais que demonstram conhecimento técnico, transmitem confiança e utilizam uma comunicação clara e acessível. No campo da enfermagem, observa-se que muitos profissionais têm recorrido a recursos visuais, linguagem simples e exemplos do cotidiano como estratégias para aproximar-se do público e tornar a informação mais compreensível [9]. Além disso, pesquisas apontam que conteúdos em saúde que incluem narrativas pessoais e experiências vividas tornam-se mais humanizados e favorecem a identificação dos usuários, ampliando o engajamento e a confiança na informação transmitida [10].

Diante desse cenário, justifica-se o presente estudo pela relevância social e acadêmica de analisar a percepção dos usuários sobre as orientações em saúde divulgadas nas redes sociais, considerando não apenas a qualidade da informação, mas também o perfil dos profissionais que a transmitem e as estratégias utilizadas para atrair e engajar o público. Como relevância científica, esse estudo fornece evidências que podem subsidiar práticas mais seguras e eficazes de educação em saúde, além de orientar profissionais da enfermagem na construção de abordagens digitais que atendam às necessidades da população.

Diante desse cenário, esta pesquisa tem como questão norteadora: qual é a percepção dos usuários das redes sociais perante as orientações em saúde e quais os benefícios e desafios dessa prática na relação entre profissionais e usuários?

O objetivo da pesquisa foi descrever como os usuários das redes sociais utilizam e avaliam as informações em saúde divulgadas por profissionais.

Métodos

O presente estudo caracteriza-se como uma pesquisa observacional, de delineamento transversal, com abordagem quantitativa e caráter exploratório e descritivo. Esse delineamento possibilitou analisar a percepção dos usuários das redes sociais acerca das orientações em saúde por meio da aplicação de um questionário eletrônico estruturado, permitindo descrever a frequência das respostas e caracterizar o perfil dos participantes em relação ao uso das redes sociais para obtenção de informações em saúde [11].

O presente estudo possui delineamento transversal, caracterizado pela coleta de dados em um único momento no tempo, permitindo descrever características e analisar variáveis de uma população específica sem acompanhamento longitudinal [12]. O estudo ocorrido desenvolveu-se no ambiente virtual das redes sociais, um questionário eletrônico estruturado.

A amostragem adotada foi não probabilística por conveniência, complementada pela técnica de bola de neve (snowball sampling), o que permitiu o recrutamento de participantes que atendiam aos critérios estabelecidos [13].

Os dados obtidos foram organizados e analisados por meio de estatística descritiva, com cálculo de frequências absolutas e relativas das variáveis do estudo.

A pesquisa foi realizada em ambiente virtual, por meio da aplicação de um questionário eletrônico via Google Forms, disponibilizado entre março e abril de 2026. O link de acesso foi divulgado em redes sociais (Instagram, Facebook e WhatsApp), sendo compartilhado em perfis pessoais e grupos de usuários, sem impulsionamento pago ou divulgação institucional. A estratégia de recrutamento ocorreu por amostragem em bola de neve, na qual os próprios participantes foram convidados a compartilhar o instrumento com outras pessoas elegíveis.

Foram incluídos usuários maiores de 18 anos, ativos em redes sociais conforme acima descrito (utilização pelo menos uma vez por semana) e que aceitaram participar de forma voluntária do estudo. Foram excluídos usuários que não possuíam perfis em redes sociais ou que não responderam integralmente ao questionário.

Inicialmente, foi aplicado um questionário eletrônico estruturado elaborado no Google Forms. O instrumento foi composto por três seções principais:

O tamanho da amostra foi definido conforme a adesão dos participantes ao questionário, totalizando 101 participantes ao questionário, estimando-se a participação mínima de 100 participantes, número considerado adequado para gerar número considerado suficiente para atender aos objetivos do estudo.[14].

Os dados foram organizados em tabelas e gráficos para facilitar sua apresentação e análise.

Os dados obtidos foram organizados e analisados após o encerramento da coleta. Foi utilizada estatística descritiva, com cálculo de frequências absolutas e relativas, para caracterização das variáveis do estudo. Os dados foram tabulados no Microsoft Excel 2025 e apresentados em forma de tabelas e gráficos.

A pesquisa foi conduzida em conformidade com a Lei nº 14.874/ 2024 [15], que institui o Sistema Nacional de Ética em Pesquisa com Seres Humanos, bem como com as diretrizes éticas estabelecidas pela Resolução CNS nº 466/2012 [16] para pesquisas na área da saúde, e pela Resolução CNS nº 510/2016 [17], aplicável às ciências humanas e sociais, enquanto estiverem em vigor. O participante do estudo teve autonomia para decidir se aceita ou não participar do estudo. O questionário eletrônico utilizado foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário UninCor, parecer nº. 279.585 e CAAE 96104926.4.0000.0295.

Resultados

O estudo analisou o uso das redes sociais como ferramenta de acesso a informações em saúde, destacando seu papel na disseminação de orientações por profissionais e no apoio ao autocuidado e à promoção da saúde. Tratou-se de uma pesquisa de caráter descritivo, com abordagem quantitativa, realizada com usuários de redes sociais em ambiente virtual. Participaram do estudo 101 indivíduos.

O gráfico 1 apresenta os dados sociodemográficos dos usuários das redes sociais referente as informações em saúde.

Gráfico 01 – Dados Sociodemográficos, item gênero, de usuários das redes socais referente as informações em saúde, n=101, Três Corações, Minas Gerais, Brasil 2026.

Fonte: Autores da pesquisa, 2026.

O perfil dos participantes demonstrou predominância do sexo masculino, que representou 74,3% da amostra, enquanto 25,7% eram do sexo feminino, conforme apresentado no Gráfico 1. Esse resultado evidencia maior participação masculina na busca por informações em saúde por meio das redes sociais.

Gráfico 02 – Nível de escolaridade dos usuários das redes sociais referente às informações em saúde, n=101, Três Corações, Minas Gerais, Brasil, 2026.

Fonte: Autores da pesquisa, 2026.

Observou-se predominância de participantes com Ensino Superior Incompleto (30,7%), seguidos por Pós-graduação (21,8%) e Ensino Superior Completo (20,8%), evidenciando uma amostra composta majoritariamente por indivíduos com elevado nível de escolaridade.

Gráfico 03 – Frequência de busca por informações de saúde na internet entre usuários das redes sociais, n=101, Três Corações, Minas Gerais, Brasil, 2026.

Fonte: Autores da pesquisa, 2026.

Observou-se que a maioria dos participantes busca informações sobre saúde na internet frequentemente (43,9%) ou sempre (31,7%), enquanto 16,8% relataram fazê-lo apenas às vezes. Esses resultados evidenciam que a internet constitui uma importante fonte de consulta para informações relacionadas à saúde entre os participantes.

Gráfico 04 – Redes sociais e sites mais utilizados para obtenção de informações em saúde pelos participantes, n=101, Três Corações, Minas Gerais, Brasil, 2026.

Fonte: Autores da pesquisa, 2026.

O Instagram foi a principal plataforma utilizada para obtenção de informações em saúde (51,5%), seguido por outros sites e plataformas (40,6%), TikTok (18,0%) e Facebook (7,9%). Os resultados evidenciam o predomínio das redes sociais como meio de acesso às informações relacionadas à saúde.

Gráfico 05 – Verificação da confiabilidade das fontes de informação antes do compartilhamento, entre os usuários das redes sociais, n=101, Três Corações, Minas Gerais, Brasil, 2026.

Fonte: Autores da pesquisa, 2026.

Observou-se que a maioria dos participantes verifica a confiabilidade das fontes antes de acreditar ou compartilhar uma informação, sendo que 40,6% afirmaram fazê-lo sempre e 17,8% frequentemente, demonstrando preocupação com a qualidade e a veracidade das informações acessadas.

Gráfico 06 – Frequência de recebimento de informações falsas em saúde entre os usuários das redes sociais, n=101, Três Corações, Minas Gerais, Brasil, 2026.

Fonte: Autores da pesquisa, 2026.

Observou-se que a maioria dos participantes já recebeu alguma informação de saúde que posteriormente descobriu ser falsa, sendo que 47,5% relataram isso raramente e 38,6% frequentemente. Esses resultados evidenciam a presença de desinformação em conteúdos relacionados à saúde e reforçam a importância da verificação das fontes de informação.

Gráfico 07 – Percepção dos participantes sobre a facilidade de encontrar páginas de profissionais de saúde confiáveis na internet, n=101, Três Corações, Minas Gerais, Brasil, 2026.

Fonte: Autores da pesquisa, 2026.

Observou-se que 54,5% dos participantes consideram fácil encontrar páginas confiáveis de profissionais de saúde na internet, enquanto 45,5% relatam dificuldades, indicando que ainda existem desafios na identificação de fontes seguras de informação em saúde.

Gráfico 08 – Tomada de decisão relacionada à saúde com base exclusivamente em informações obtidas nas redes sociais entre os participantes, n=101, Três Corações, Minas Gerais, Brasil, 2026.

Fonte: Autores da pesquisa, 2026.

Observou-se que 52,5% dos participantes afirmaram não ter tomado decisões relacionadas à saúde com base exclusivamente em informações obtidas nas redes sociais, enquanto 47,5% relataram já ter adotado essa prática. Esses resultados demonstram a influência significativa das redes sociais no comportamento e nas decisões em saúde da população.

Discussão

Os achados deste estudo evidenciam o papel crescente das redes sociais como fonte de informações em saúde, refletindo as transformações ocorridas nos processos de comunicação e acesso ao conhecimento nas últimas décadas. Nesse contexto, essas plataformas têm se consolidado como importantes ferramentas de busca e compartilhamento de informações, influenciando comportamentos, percepções e decisões relacionadas à saúde, conforme também observado na literatura [17].

Estudos apontam que indivíduos com maior nível de escolaridade tendem a apresentar maior capacidade de análise crítica e melhor habilidade para avaliar a qualidade das informações acessadas, o que pode influenciar a busca por fontes institucionais e cientificamente validadas [18]. Esse aspecto merece destaque no contexto da interpretação dos resultados, constitui uma limitação do estudo uma vez que a amostra deste estudo foi composta predominantemente por indivíduos com ensino superior completo ou incompleto, fator que pode ter influenciado os resultados observados.

Apesar da valorização das fontes confiáveis, observou-se que muitos participantes utilizam conteúdos encontrados nas redes sociais como subsídio para a tomada de decisões relacionadas à saúde. Tal comportamento pode estar associado à facilidade de acesso, à rapidez na obtenção das informações e à influência social exercida pelos ambientes digitais [19,20]. Esse cenário revela uma importante contradição: embora os usuários reconheçam a necessidade de verificar a veracidade das informações, continuam expostos a conteúdos cuja qualidade nem sempre pode ser garantida.

Essa realidade está inserida no contexto da denominada “infodemia”, definida pela Organização Mundial da Saúde como a rápida e ampla disseminação de informações, verdadeiras ou falsas, que dificulta a identificação de conteúdos confiáveis e compromete a tomada de decisões adequadas em saúde [21]. Além disso, estudos demonstram que notícias falsas tendem a apresentar maior velocidade de disseminação e alcance nas redes sociais quando comparadas às informações verificadas, potencializando seus impactos sobre a saúde pública [22]. Dessa forma, o combate à desinformação torna-se um dos principais desafios contemporâneos para os sistemas de saúde.

Além dos riscos relacionados à infodemia, é importante considerar as desigualdades digitais que permeiam o acesso às informações em saúde. Embora as redes sociais ampliem as possibilidades de obtenção de conhecimento, nem todos os indivíduos possuem condições equivalentes de acesso, compreensão e avaliação crítica dos conteúdos disponíveis. Pessoas com menor escolaridade, menor renda, idosos e grupos socialmente vulneráveis frequentemente apresentam maiores dificuldades relacionadas ao letramento em saúde, conceito que se refere à capacidade de acessar, compreender, avaliar e utilizar informações para a tomada de decisões relacionadas à própria saúde [23]. Nesses grupos, a menor capacidade de avaliação crítica pode aumentar a vulnerabilidade à desinformação e às práticas inadequadas de autocuidado.

Outro aspecto relevante refere-se ao funcionamento dos algoritmos das plataformas digitais. Esses mecanismos selecionam e priorizam conteúdos com base nas preferências, buscas e interações dos usuários, criando fluxos personalizados de informação. Embora essa estratégia aumente o engajamento, também pode favorecer a exposição repetitiva a determinados conteúdos, reforçando crenças pré-existentes e limitando o contato com informações baseadas em evidências científicas [24]. Assim, a influência algorítmica representa um desafio adicional para a promoção da informação qualificada em saúde no ambiente digital.

A confiança atribuída às informações encontradas nas redes sociais merece atenção, uma vez que pode contribuir para a adoção de comportamentos e decisões baseadas em conteúdos não verificados. Em contrapartida, a maior confiança depositada nas orientações fornecidas por profissionais de saúde durante o atendimento presencial evidencia a relevância do vínculo profissional-usuário na construção da credibilidade das informações. Nesse contexto, destaca-se o papel fundamental da enfermagem na promoção da educação em saúde, no fortalecimento do pensamento crítico e no combate à desinformação, contribuindo para o desenvolvimento da autonomia dos indivíduos e para a utilização consciente das informações disponíveis [21].

Por fim, os resultados deste estudo devem ser interpretados considerando as características da amostra investigada. A predominância de participantes com maior escolaridade e o recrutamento realizado exclusivamente por meios digitais podem ter favorecido a inclusão de indivíduos mais familiarizados com tecnologias e com maior acesso à informação. Dessa forma, grupos com menor acesso à internet ou menores níveis de escolaridade podem estar sub-representados, o que limita a extrapolação dos resultados para a população em geral. Esse aspecto reforça a necessidade de futuras pesquisas que contemplem amostras mais diversificadas e representativas, possibilitando uma compreensão mais abrangente da relação entre redes sociais, informação em saúde e vulnerabilidade à desinformação.

Conclusão

Conclui-se que as redes sociais constituem uma importante fonte de informações em saúde para os participantes deste estudo, sendo utilizadas com frequência na busca por orientações relacionadas ao cuidado e à prevenção de doenças. Embora tenha sido observada preferência por fontes oficiais, como o Ministério da Saúde, os resultados demonstraram que conteúdos veiculados nas redes sociais também influenciam a tomada de decisões em saúde, evidenciando a relevância dessas plataformas no cotidiano da população.

Os achados indicaram ainda que, apesar de a maioria dos participantes reconhecer a importância da verificação das informações, persistem situações em que conteúdos digitais são utilizados sem a devida checagem de sua confiabilidade, o que pode favorecer a exposição à desinformação. Além disso, a predominância de participantes com maior escolaridade sugere que fatores como acesso à informação, letramento em saúde e inclusão digital podem influenciar a forma como os indivíduos buscam, avaliam e utilizam informações em saúde.

Diante desse cenário, reforça-se a necessidade de estratégias de educação em saúde voltadas ao desenvolvimento do pensamento crítico e do uso consciente das informações disponíveis no ambiente digital. Destaca-se, ainda, o papel da enfermagem e dos demais profissionais de saúde na promoção de informações seguras, baseadas em evidências científicas, contribuindo para o enfrentamento da desinformação e para o fortalecimento da autonomia dos usuários na tomada de decisões relacionadas à própria saúde. Recomenda-se, por fim, a realização de novos estudos com amostras mais diversificadas, a fim de ampliar a compreensão sobre o impacto das redes sociais na busca por informações em saúde em diferentes grupos populacionais.

Conflitos de interesse

Os autores declaram não haver conflito de interesse de qualquer natureza.

Fontes de Financiamento

Não houve financiamento.

Contribuição dos Autores

Concepção e desenho da pesquisa: Silva PKA, Silva LSA, Quintiliano GLN; Coleta de dados: Silva PKA, Silva LSA, Quintiliano GLN; Análise e interpretação: Silva PKA, Silva LSA, Quintiliano GLN; Redação do manuscrito: Silva PKA, Silva LSA, Quintiliano GLN; Revisão crítica do manuscrito quanto ao conteúdo intelectual: Silva PKA, Silva LSA, Quintiliano GLN.

Declaração sobre o Uso de Inteligência Artificial

Os autores declaram que utilizaram a ferramenta de inteligência artificial ChatGPT (OpenAI) como apoio na revisão textual, organização estrutural do manuscrito, correção gramatical e aprimoramento da redação acadêmica. Todas as informações, análises, interpretações dos resultados, conclusões e decisões científicas apresentadas neste trabalho foram revisadas e validadas pelos autores, que assumem integral responsabilidade pelo conteúdo final do manuscrito.

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