ARTIGO ORIGINAL
Sentido da vida das pessoas que realizam hemodiálise: Uma abordagem em Viktor Frankl
Thatiana da Fonseca Peixoto1, Lavínia Heleno Rufino da Silva1, Graziele Vilar Silva2, Thainá da Silva Cabral Bezerra1, Hiule Pereira de Santana3, Adrielly Cristina de Lima Raimundo1, Diolyne da Silva Barros1, Marcela Cristina dos Santos Barros1
1Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Maceió, AL, Brasil
2Centro Universitário CESMAC, Maceió, AL, Brasil
3Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (UNCISAL), Maceió, AL, Brasil
Recebido em: 10 de Fevereiro de 2026; Aceito em: 27 de Fevereiro de 2026.
Correspondência: Thatiana da Fonseca Peixoto, enfathatianapeixoto@gmail.com
Como citar
Peixoto TF, Silva LHR, Silva GV, Bezerra TSC, Santana HP, Raimundo ACL, Barros DS, Barros MCS. Sentido da vida das pessoas que realizam hemodiálise: Uma abordagem em Viktor Frankl. Enferm Bras. 2025;24(6):2979-2993 doi: 10.62827/eb.v24i6.4201.
Introdução: A doença renal crônica (DRC) constitui-se um grave problema de saúde pública em diversos países, devido à sua elevada incidência na população, sendo, atualmente, considerada uma pandemia pela Organização Mundial de Saúde. Objetivo: descreveu-se o sentido da vida das pessoas em hemodiálise, com base na fenomenologia existencial de Viktor Frankl. Métodos: pesquisa qualitativa, de abordagem compreensivista, realizada com 10 pacientes renais crônicos submetidos à hemodiálise há mais de seis meses, atendidos em uma clínica de nefrologia de Maceió, Alagoas. A coleta de dados ocorreu entre setembro e novembro de 2024, por meio de entrevistas fenomenológicas, analisadas segundo o modelo empírico-compreensivo, fundamentado nos pressupostos da análise existencial de Viktor Frankl. Resultados: emergiram três categorias: Autonomia e resiliência no enfrentamento da doença renal crônica; Superação e reconstrução do sentido de viver durante o sofrimento; e evidenciou-se a importância de valores experienciados no cotidiano como fatores motivadores. Conclusão: apesar dos desafios, os participantes encontram sentido na vida ao estabelecer novos propósitos, fortalecer laços familiares e conexão espiritual. Os achados reforçam a importância do cuidado de enfermagem centrado na totalidade do ser humano.
Palavras-chave: Hemodiálise; Fenomenologia; Enfermagem; Doença Renal Crônica.
Meaning of Life of People Undergoing Hemodialysis: An Approach Based on Viktor Frankl
Introduction: Chronic kidney disease (CKD) constitutes a serious public health problem in several countries due to its high incidence in the population and is currently considered a pandemic by the World Health Organization. Objective: This study described the meaning of life for people undergoing hemodialysis, based on Viktor Frankl’s existential phenomenology. Methods: This qualitative, comprehensive study was conducted with 10 chronic kidney disease patients undergoing hemodialysis for more than six months, treated at a nephrology clinic in Maceió, Alagoas. Data collection took place between September and November 2024 through phenomenological interviews, analyzed according to the empirical-comprehensive model, based on the assumptions of Viktor Frankl’s existential analysis. Results: Three categories emerged: Autonomy and resilience in coping with chronic kidney disease; Overcoming and reconstructing the meaning of life during suffering; and the importance of values experienced in daily life as motivating factors was highlighted. Conclusion: Despite the challenges, participants find meaning in life by establishing new purposes, strengthening family ties, and fostering spiritual connection. The findings reinforce the importance of nursing care centered on the whole human being.
Keywords: Hemodialysis; Philosophy; Nursing; Chronic Kidney Disease.
Sentido de la Vida de las Personas que Realizan Hemodiálisis: Un Enfoque en Viktor Frankl
Introducción: La enfermedad renal crónica (ERC) constituye un grave problema de salud pública en varios países debido a su alta incidencia en la población, y actualmente es considerada una pandemia por la Organización Mundial de la Salud. Objetivo: Este estudio describió el sentido de la vida de las personas sometidas a hemodiálisis, con base en la fenomenología existencial de Viktor Frankl. Métodos: Este estudio cualitativo y comprensivo se realizó con 10 pacientes con enfermedad renal crónica sometidos a hemodiálisis durante más de seis meses, tratados en una clínica de nefrología en Maceió, Alagoas. La recolección de datos ocurrió entre septiembre y noviembre de 2024 a través de entrevistas fenomenológicas, analizadas según el modelo empírico-comprensivo, basado en los supuestos del análisis existencial de Viktor Frankl. Resultados: Surgieron tres categorías: Autonomía y resiliencia en el afrontamiento de la enfermedad renal crónica; Superar y reconstruir el sentido de la vida durante el sufrimiento; y se destacó la importancia de los valores experimentados en la vida diaria como factores motivadores. Conclusión: A pesar de los desafíos, los participantes encuentran sentido a la vida al establecer nuevos propósitos, fortalecer los lazos familiares y fomentar las conexiones espirituales. Los hallazgos refuerzan la importancia de la atención de enfermería centrada en el ser humano en su totalidad.
Palabras-clave: Hemodiálisis; Filosofía; Enfermería; Enfermedad Renal Crónica.
A doença renal crônica (DRC) constitui-se um grave problema de saúde pública em diversos países, devido à sua elevada incidência na população, sendo, atualmente, considerada uma pandemia pela Organização Mundial de Saúde. Segundo o censo da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), o Brasil está entre os principais países que representam os maiores números de casos de pacientes dialíticos do mundo que fazem hemodiálise, com o Japão e os Estados Unidos no topo da classificação da
pesquisa [1,2].
Estudos apontam que, em 2018, o número de pacientes dialíticos no Brasil foi três vezes maior em comparação ao ano 2000, passando de 42.695 para mais de 133 mil casos. Além do aumento expressivo da incidência, observa-se uma elevação na mortalidade associada às complicações da doença, bem como desafios relacionados à padronização da assistência e à incorporação de novas tecnologias no tratamento [2].
Diante desse cenário, a adesão ao tratamento hemodialítico torna-se um fator crucial, pois está diretamente relacionada à aceitação da condição crônica pelo paciente. Além disso, a alteração da imagem corporal, do sono, do humor, peso, apetite e do interesse sexual, restrições dietéticas e hídricas, dificuldades profissionais, alteração no relacionamento familiar, além de todo o cuidado com o manejo do acesso vascular, sendo este último forte aliado para o sucesso na manutenção do tratamento [3].
Deste modo, a fenomenologia de Viktor Frankl pode contribuir na compreensão dos aspectos biopsicossociais enfrentados pela pessoa com DRC, a partir dos significados atribuídos pelos sujeitos às suas experiências enquanto vivencia as sessões de hemodiálise. Sendo assim, como um mundo intersubjetivo compartilhado, a esfera da vida cotidiana da hemodiálise e as dificuldades oriundas do tratamento, para muitos se configura como a visão da própria morte [4]. A Teoria Existencial de Viktor Frankl, amplamente conhecida como a Teoria do Sentido da Vida, foi selecionada como base analítica, pois oferece subsídios para compreender os significados atribuídos pelas pessoas com DRC submetidas à hemodiálise, que enfrentam os desafios e limitações impostos pela doença e pelo tratamento.
Diante do exposto, surge a seguinte questão de pesquisa: “como as pessoas que realizam hemodiálise atribuem sentido à vida?” Parte-se do pressuposto de que os significados atribuídos por essas pessoas ao vivido no contexto da DRC e da hemodiálise podem ser utilizados para orientar futuras intervenções de enfermagem, voltadas para uma assistência mais humanizada e centrada no indivíduo, promovendo uma melhor adaptação e qualidade de vida.
A fim de subsidiar a argumentação sobre a relevância desta pesquisa, foi realizada uma busca em bases de dados e bibliotecas virtuais relacionada à temática verificando-se que, embora existam produções que focaram nos sentimentos dos pacientes que realizam hemodiálise, como em estudos anteriores [5,6,7], percebe-se que existe uma lacuna no tocante à produção de estudos que abordem através de uma perspectiva fenomenológica existencial o sentido da vida das pessoas que realizam hemodiálise.
A partir do conhecimento adquirido, este estudo se torna relevante ao oferecer insights valiosos para os profissionais de enfermagem, permitindo um planejamento da assistência integral e adequada. O foco é minimizar os prejuízos nas atividades cotidianas e o impacto negativo nos aspectos sociais e existenciais enfrentados por pessoas em hemodiálise.
Descreveu-se como as pessoas que realizam hemodiálise atribuem sentido à vida.
Trata-se de um estudo qualitativo, de abordagem compreensivista, fundamentado no referencial teórico-filosófico existencial de Viktor Frankl. A abordagem qualitativa é reconhecida por sua capacidade de explorar de maneira profunda as experiências individuais, permitindo uma análise interpretativa dos fenômenos que não podem ser reduzidos a dados quantitativos. No contexto da hemodiálise, essa perspectiva possibilita a compreensão dos desafios subjetivos enfrentados pelos pacientes, incluindo suas percepções sobre a doença, o tratamento e a ressignificação da própria existência.
O estudo foi realizado em uma clínica de nefrologia localizada na cidade de Maceió, Alagoas. A instituição é especializada no tratamento de doenças renais, com foco no atendimento a pacientes que necessitam de hemodiálise, sendo referência no cuidado de pessoas com insuficiência renal. O local conta com infraestrutura adequada para o acompanhamento contínuo de seus pacientes, garantindo um tratamento de qualidade e humanizado.
A pesquisa contou com a participação de 10 pacientes em tratamento de hemodiálise na referida clínica. A seleção foi feita após 3 meses do início do tratamento e os participantes estavam em acompanhamento regular. A escolha dos participantes levou em consideração as experiências e as vivências com o tratamento de hemodiálise. Os critérios de inclusão foram: idade igual ou superior a 18 anos e estar em tratamento ativo de hemodiálise na clínica. Foram excluídos aqueles que não fazem parte do cadastro efetivo de pacientes no serviço de nefrologia onde a pesquisa foi conduzida.
As entrevistas ocorreram entre setembro e novembro de 2024 em um ambiente privado dentro da clínica, conforme combinado previamente com os participantes da pesquisa, a fim garantir maior confidencialidade das informações e privacidade. Inicialmente, foi aplicado um questionário sociodemográfico, que buscou informações como idade, gênero, tempo de tratamento, condições de saúde prévias e outros aspectos relevantes para caracterizar os participantes. Em seguida, foi realizada a entrevista fenomenológica, que foi gravada com o auxílio de um aparelho de MP3, a fim de garantir a captura integral do depoimento. Caso o participante não consentisse com a gravação, o depoimento seria transcrito manualmente. Durante a entrevista, foram feitas anotações de campo para registrar observações que chamaram atenção durante o processo.
O protocolo de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas, com anuência e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) pelos participantes. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas em 10 de novembro de 2023, CAAE: 444035723.0.5013.
A entrevista fenomenológica começou com a pergunta inicial: “Como você descreveria a sua experiência com a hemodiálise e de que maneira essa experiência afetou sua percepção sobre o sentido da vida?”. A entrevista seguiu um formato aberto, com intervenções pontuais somente para ajudar o participante a se manter focado nos objetivos da pesquisa. Para garantir a privacidade e o anonimato, os participantes foram identificados por pseudônimos (Participante-P, seguido de um número sequencial correspondente à ordem das entrevistas).
Os depoimentos obtidos nas entrevistas fenomenológicas foram transcritos e analisados segundo o modelo empírico-compreensivo de Giorgi [8], seguindo um processo em múltiplas etapas. Inicialmente, na suspensão fenomenológica, as entrevistas foram transcritas integralmente na linguagem original dos participantes, formando um texto para cada relato e permitindo uma aproximação inicial com o fenômeno. Na segunda etapa, foram realizadas leituras exaustivas para captar o sentido global de cada discurso.
Na terceira etapa, identificaram-se as unidades de significado, destacando as partes essenciais do discurso que refletiam a experiência vivida pelos participantes. Posteriormente, na quarta etapa, essas percepções foram transformadas em linguagem científica, adaptando-as para interpretações psicológicas sem perder o foco no fenômeno central.
A quinta etapa consistiu na síntese e integração das percepções psicológicas em categorias analíticas, permitindo uma análise mais clara e estruturada dos dados. Por fim, na sexta etapa, foi realizada a elaboração de uma intelecção, visando compreender o fenômeno dentro do campo do conhecimento da pesquisa, desvelando a estrutura central e invariável da vivência das pessoas que sobrevivem e convivem com as sequelas do tratamento de hemodiálise, e os significados que atribuem à sua experiência.
Dos dez participantes da pesquisa, todos eram pessoas em tratamento de hemodiálise na clínica de nefrologia em Maceió, AL. As informações quanto à caracterização sociodemográfica dos participantes estão descritas na Tabela 1.
Tabela 1 – Descrição de informações sociodemográficas e econômicas dos participantes da pesquisa. Maceió, AL, Brasil, 2024.
|
Variáveis sociodemográficas |
n |
% |
Variáveis sociodemográficas |
n |
% |
|
Gênero |
Escolaridade |
||||
|
Masculino |
5 |
50,00% |
Analfabeto |
0 |
0,00% |
|
Feminino |
5 |
50,00% |
Fundamental Completo |
1 |
10,00% |
|
Raça/cor |
Ensino Médio Completo |
6 |
60,00% |
||
|
Branca |
3 |
30,00% |
Graduação |
3 |
30,00% |
|
Parda |
3 |
30,00% |
Tempo de diálise |
||
|
Negro |
4 |
40,00% |
3 meses a 1 ano |
0 |
0,00% |
|
Faixa etária |
<1 ano |
1 |
10,00% |
||
|
18 a 65 anos |
7 |
70,00% |
2 a 5 anos |
6 |
60,00% |
|
65 a 70 anos |
3 |
30,00% |
>5 anos |
3 |
30,00% |
|
>80 anos |
0 |
0,00% |
|||
|
Renda |
|||||
|
< 1 salário-mínimo |
0 |
0,00% |
|||
|
1 a 5 salários-mínimos |
6 |
60,00% |
|||
|
5 a 10 salários-mínimos |
4 |
40,00% |
Dentre os 10 participantes que realizam hemodiálise, metade foi do sexo feminino e a outra metade do sexo masculino. A faixa etária variou de 18 a 70 anos, com média de 44,2 anos. No momento da entrevista, a maioria dos participantes eram casados (n=5), 2 eram solteiros, 2 divorciados e 1 viúvo. Em relação à autodeclaração étnico-racial, três participantes se identificaram como brancos, três como pardos e quatro como negros. Quanto ao nível de escolaridade, seis participantes possuíam ensino médio completo, enquanto três haviam concluído o ensino superior e um, o ensino fundamental. Em relação ao tempo de hemodiálise, três participantes estavam em tratamento há mais de cinco anos, seis realizavam o procedimento entre dois e cinco anos, e um estava em diálise há menos de um ano.
Por meio da análise temática, com o propósito de desvelar o fenômeno oculto e compreender as vivências das pessoas que realizam hemodiálise, os dados foram organizados em três categorias centrais, cada uma com suas respectivas unidades temáticas. Assim, foi possível obter os resultados descritos nas seguintes temáticas ontológicas (figura 1): i) superação e reconstrução do sentido de viver diante do sofrimento; ii) autonomia e resiliência no enfrentamento da doença; e iii) resiliência e busca por significado no enfrentamento da adversidade, como apresentado na Figura 1.
Figura 1 – Fluxograma das categorias temáticas ontológicas interligadas com os pilares de Viktor Frankl.
Categoria 1: Superação e reconstrução do sentido de viver diante do sofrimento
Essa categoria emergiu dos depoimentos dos entrevistados que, ao enfrentarem a rotina exaustiva para realizar as sessões de hemodiálise, vivenciaram profundas reflexões sobre o sentido da vida. Muitos relataram que, ao sobreviverem a situações de grande fragilidade e sofrimento, perceberam a importância das escolhas que fizeram ao longo do processo de tratamento. Os pacientes destacam o papel essencial da rede de apoio – formada por familiares, amigos e profissionais de saúde – na acessibilidade da doença e no envolvimento com o tratamento, conforme as falas:
A família começa a valorizar mais... Poxa, você tá muito bem. Isso me fez perceber que o apoio da família é fundamental nesse processo de transformação e aceitação. (P1)
Minha família, esposa, ex-esposa, filhos, mãe, irmãos, genro e nora são os pilares que me ajudam a seguir em frente, me dando força e apoio contínuo. (P2)
Eu sempre tive apoio da minha família, especialmente da minha esposa e filha, além dos amigos que estiveram ao meu lado nos momentos mais difíceis. (P4)
Eu tenho mais amizade com os amigos do que com a família. O que realmente me sustenta é o apoio constante da minha irmã, que sempre esteve ao meu lado. (P5)
Sou evangélica e sempre tive apoio total da minha família e da minha igreja. Meu esposo é muito presente e me dá todo o suporte emocional necessário. (P8)
Além do apoio social, a fé aparece como um elemento essencial na construção do significado de vida e enfrentamento da hemodiálise. Para muitos, acreditar em um propósito maior ou em uma força divina oferece consolo e esperança, ajudando-os a encontrar um sentido mesmo em situações adversas. Em boa parte das entrevistas verificou-se que os participantes mantinham suas crenças como válvula de escape. Esse espectro foi bastante enfatizado pelas falas:
Eu acredito muito em Deus. E eu vejo muito a mão dele no meu tratamento, porque em momentos tão difíceis, sinto que Ele me dá forças para continuar. (P3)
Deus assim me mantém de pé, me dando forças todos os dias, porque vejo tantas pessoas que não tiveram a oportunidade de viver momentos tão especiais. Quando eu fui ter minha filha, pensei que talvez não fosse possível, mas Ele me deu essa bênção, e isso me fortaleceu ainda mais. (P8)
Procurei mudar minha mente, ressignificar as situações e ver o lado positivo de cada momento. Embora o sofrimento fosse grande, me esforcei para tornar esses momentos mais leves. (P2)
As transformações impostas pela doença também geram desafios físicos e emocionais. O impacto do diagnóstico, as ameaças de complicações e as perdas de outros pacientes levam a uma reavaliação de prioridades e cuidados com a saúde. Esses relatos destacam a complexidade de viver com a hemodiálise, onde perdas e ganhos coexistem:
Eu caí fora da cadeira. Tudo porque eu não tenho mais a visão que eu tinha. Perder a visão foi demais pra mim, e até tarefas simples se tornaram difíceis (choro). (P5).
A experiência é menos pior do que eu pensava, né? A gente consegue ter vida depois da hemodiálise. No começo, achei que seria o fim da minha vida social e profissional, mas agora vejo que, com ajustes e apoio, posso ter momentos bons e até me divertir, além de manter uma rotina saudável. (P4)
Apesar disso, as minhas taxas foram mudando muito de semana para semana. Mesmo com a doença estacionada, aí fui para o cateter, o que me trouxe um novo medo e insegurança. (P1)
O processo de transição e valorização da vida é visível nas falas dos entrevistados, que, ao serem confrontados com a realidade de sua doença e do tratamento hemodialítico, passam a lidar com suas emoções, medos e reflexões sobre a vida de maneira intensa. As reações dos pacientes ao diagnóstico e às novas condições de vida revelam esse momento de ruptura, onde a adaptação torna-se necessária, mas desafiadora:
No primeiro dia que eu recebi o diagnóstico... fiquei assim, estática. Não conseguia acreditar no que estavam me dizendo. Eu me vi ali, sem reação. (P1)
Eu não vou mais fazer cirurgia porque estou com medo de perder a vida. [...], mas Deus me deu mais uma chance de viver (P5)
Quando eu vi muita gente indo embora, eu digo, eu vou ter que me cuidar mais. Eu percebi que não podia mais ignorar minha saúde e que a qualquer momento poderia estar no lugar deles. (P5)
Dessa maneira, percebe-se nas falas dos entrevistados o processo de enfrentamento e adaptação diante do sofrimento, algo que o teórico aborda de maneira profunda em sua obra.
Categoria 2: Autonomia e resiliência no tratamento da doença
A partir dos relatos dos participantes, percebe-se que a descoberta do diagnóstico marca uma ruptura na vida do indivíduo e no modo de perceber a si mesmo, o que pode infligir uma sobrecarga emocional a ele. Nesse contexto, o sujeito entra em contato com o medo, o imaginário e as incertezas sobre a patologia, a vida e o futuro, haja vista a gravidade e cronicidade da doença, bem como as especificidades do tratamento. Esses fatores podem provocar desesperança e acentuado sofrimento psíquico ao paciente e à sua família, como foi evidenciado nas falas:
A hemodiálise deixa a gente muito debilitado e diminui a nossa expectativa de vida. (P3);
Quando eu ouvia falar em hemodiálise o meu dia acabava ali. Não podia nem ver aquelas vans que levam os pacientes. Ficava muito depressivo. (P4)
Antes de começar o tratamento eu pensava que aqui era o corredor da morte, que ninguém vivia mais do que dois anos. (P10)
Apesar do impacto inicial, a adaptação ao tratamento ocorre de forma singular para cada paciente. Muitos desenvolvem resiliência e passam a integrar a hemodiálise à rotina, promovendo um senso de normalidade e controle sobre a situação. As perdas e restrições fazem a pessoa olhar sobre si mesmo, e vislumbrar a partir da liberdade as variadas possibilidades de vir a ser, como pode ser evidenciado nos seguintes discursos:
Eu procuro não me abalar emocionalmente... procuro estar sempre me movimentando. Eu sei que o tratamento é difícil e que tem dias que o cansaço é demais, mas se eu me deixar dominar pelas emoções, isso só piora tudo. (P4)
Eu dou uma descansada e já procuro reagir. É claro que tem dias que o cansaço bate forte, que a dor e o estresse vêm. Nesses momentos, a primeira coisa que faço é dar uma pausa para mim mesmo (P4)
A estratégia que eu tento levar é não me considerar um paciente doente. Eu sei que tenho uma doença, mas tentar me ver apenas como paciente o tempo todo me deixa muito preso a essa condição. (P3)
A esperança que os pacientes depositam no transplante renal se torna, assim, uma chave para encontrar significado no processo doloroso da espera. Isso é visto na fala do P2 e P4, respectivamente:
A possibilidade de um transplante me ajuda a manter a saúde, sabe? Eu sei que é um processo longo e cheio de espera, mas saber que existe a chance de sair da máquina me dá forças para seguir em frente e realizar meu tratamento.
(P2)
Rapaz, eu penso assim, né? Eu poderia ter começado esse tratamento mais tarde, como era previsto segundo o médico, diante da minha enfermidade anterior. Mas assim, eu penso assim, que o propósito divino foi antecipar esse tratamento, esse início do tratamento para poder me dar a oportunidade de transplante. Porque talvez se eu iniciasse mais velho, não poderia ter essa oportunidade. (P4)
Ao perceberem que o sofrimento causado pela DRC não é algo que pode ser evitado, muitos pacientes começam a adotar uma postura ativa e positiva diante de sua situação. Conforme as seguintes falas:
Hoje eu acostumei, é como se fosse um emprego, todo dia eu venho trabalhar.
Já não vejo mais a hemodiálise como algo fora da minha rotina. (P3)
Eu venho até de moto um dia desses. [...] Depois que foi estabelecido a forma tranquila do tratamento, não preciso de estar com ninguém me dando suporte. (P10)
Essa ressignificação da experiência reflete autonomia e resiliência, permitindo que o paciente retome o protagonismo sobre sua vida.
Categoria 3: Resiliência e busca por significado no enfrentamento da adversidade
O compromisso de manter a vida normal apesar da hemodiálise reflete a determinação dos participantes em continuar com suas atividades diárias, mesmo diante das limitações impostas pelo tratamento. Inicialmente, muitos relataram desconforto com a mudança de rotina, principalmente pelos efeitos do tratamento e pela dependência da máquina. No entanto, ao longo do tempo, a adaptação se torna evidente, e a aceitação surge como um processo gradual, transformando a hemodiálise em uma parte inevitável, mas administrável, da vida cotidiana.
Os relatos demonstram diferentes formas de enfrentamento. P1 ilustra como, mesmo diante das dificuldades, consegue manter sua rotina:
Eu sei que eu vou fazer minhas coisas normais. A minha única limitação é não poder viajar por muitos dias seguidos. Mas, de resto, eu considero que a minha vida anda normalmente.
A fala de P1 evidencia como a adaptação permite a continuidade das atividades, mesmo com algumas restrições. Por outro lado, P2 descreve a dificuldade inicial para aceitar a dependência do tratamento:
A princípio não foi muito legal, porque é uma mudança de vida, né? Você fica dependente de uma máquina. Você tem que estar três vezes por semana na clínica. Então, assim, no princípio eu sofri um pouco, mas depois eu me adaptei bem. (P2)
O impacto emocional inicial deu lugar a uma aceitação progressiva, demonstrando como o tempo e a adaptação psicológica influenciam na percepção do tratamento. Outro ponto marcante no relato de P2 é a ressignificação do tratamento:
Eu pensei: eu vou ter que fazer hemodiálise, então ou sofro ou eu aceito e resolvo encarando isso de outra maneira. Aí eu comecei a trabalhar minha mente para encarar. Assim, por exemplo... é incrível, mas às vezes eu penso assim, vou ter hemodiálise como se fosse uma coisa boa, porque eu tô aqui (risos). (P2)
Outros sim, o depoimento de P3 revela o processo de aceitação após um período de resistência. P3 relata:
Foi triste, eu não aceitei não no início, fiquei muito revoltado, fiquei triste, mas o pessoal do hospital me tratou bem e fui bem assessorado pelos médicos. A equipe médica me convenceu que não tinha solução, era isso, isso mesmo. Então hoje eu vejo como se fosse um emprego, eu venho, faço o tratamento e vou embora. (P3)
Adicionalmente, enfermeiros assumem um papel crucial ao auxiliar os pacientes no desenvolvimento de estratégias de enfrentamento e na adaptação a essa nova realidade, principalmente no início do tratamento, conforme visto na fala de P1:
Aí quando eu tava na sala para colocar o cateter, veio uma enfermeira e disse: ‘Você não vai parar sua vida. Eu sei que é difícil, mas a gente vai cuidar de você’. E foi conversando comigo ali no hospital mesmo e foi me acalmando, né? (P1)
O tratamento de hemodiálise proporcionou aos participantes um crescimento pessoal significativo, estimulando a aprendizagem sobre o processo saúde doença e o processo de adaptação às novas circunstâncias.
Depois que eu comecei a fazer hemodiálise, a minha vida continua do jeito que era, sendo que eu acabei descobrindo coisas novas e para mim não é uma coisa boa. Mas eu vi muitos pontos positivos, porque também muita coisa que eu não conhecia eu comecei a conhecer na área da saúde, da enfermagem. (P7)
Eu percebi que gostava muito de cozinhar. Comecei a pensar que isso poderia ser uma profissão para mim.
E, dessa forma, eu poderia ajudar outras pessoas que tivessem o mesmo problema que eu, ou algo semelhante, e poderia trabalhar em uma área que me permitisse entender melhor as pessoas. (P7)
Eu aprendi a aceitar minhas limitações. Não é fácil, mas vejo que é necessário. (P9)
A vida tem que seguir. Não dá pra parar, né? Mesmo que a hemodiálise seja chata, mesmo que seja cansativo, você aprende a dar valor a cada momento. (P6)
Minha vida não parou nunca. Eu só aceitei que ia ter que viver assim. (P7)
Eu comecei a ter essa curiosidade porque eu tinha pavor quando eu falava, né? [...] Eu assimilei da seguinte forma: eu tô doente, mas é uma coisa que vai me manter bem, vai me manter viva. (P8)
Diante do exposto, a experiência de conviver com essas restrições não só fortalece a resiliência emocional, mas também incentiva a busca por alternativas para manter uma vida ativa e significativa, demonstrando que, mesmo diante das dificuldades, há oportunidades de aprender e se reinventar.
A fenomenologia existencial de Viktor Frankl orientou a análise das estruturas de significado apontadas pelos participantes deste estudo, permitindo revelar o fenômeno subjacente e compreender os sentidos atribuídos às experiências vividas por indivíduos com doença renal crônica em hemodiálise. O fenômeno se manifesta ao longo das etapas vivenciadas pelos pacientes, desde o período anterior à doença até sua adaptação a uma nova realidade, marcada por limitações e desafios. Nesse contexto, a hemodiálise passa a ser ressignificada como um meio para manter a vida e encontrar um
novo propósito.
Percebe-se que a experiência da hemodiálise leva a uma nova percepção da vida, tanto para os pacientes quanto para aqueles ao seu redor, refletindo um dos pilares fundamentais da logoterapia de Frankl: a busca por sentido mesmo diante do sofrimento. O suporte emocional e prático torna-se essencial para lidar com os impactos do diagnóstico e do tratamento, que, embora desafiadores, também impulsionam uma reflexão profunda e a adaptação a um novo cenário. Esse processo está alinhado com a teoria de Frankl, que enfatiza a capacidade humana de encontrar significado nas adversidades.
A espiritualidade também se revelou um aspecto central na vivência da hemodiálise, sendo frequentemente manifestada por meio da religiosidade. A prática da fé e a crença em um propósito maior surgem como estratégias de enfrentamento, permitindo aos pacientes transcender a dor e as limitações impostas pela doença. Indivíduos com crenças religiosas apresentam maior resiliência e enfrentam a hemodiálise com menos dificuldades [9]. A fé aparece como um elemento essencial na construção do significado de vida e enfrentamento da hemodiálise. Para muitos, acreditar em um propósito maior ou em uma força divina oferece consolo e esperança, ajudando-os a encontrar um sentido mesmo em situações adversas. Esse achado está alinhado com a visão de Frankl [10], que destaca a espiritualidade como um componente essencial na busca por sentido.
Em boa parte das entrevistas verificou-se que os participantes mantinham suas crenças como válvula de escape. Independente da religião que professem, é essa crença em um ser superior que os torna capazes de lidar com o tratamento e todo o ônus acarretado pela DRC. Estudos indicam que indivíduos que possuem alguma religião ou crença demonstram menos dificuldades no enfrentamento da doença renal que indivíduos que alegam não possuir qualquer tipo de
religião [11].
A crença em Deus, o otimismo e o pensamento positivo originados do enfrentamento com foco na religião são fortes influências no desenvolvimento de respostas adaptativas às situações difíceis em decorrência da doença. Quando o paciente faz o uso do enfrentamento religioso, como orar e participar de grupos ou reuniões nas igrejas, o diagnóstico de uma doença crônica pode ser entendido como parte de um plano maior, ao invés de um simples evento aleatório, o que ajuda a moldar o senso de significado na vida desses pacientes e na adaptação à nova situação que enfrentam [12].
Frankl acreditava que o sofrimento era uma parte inevitável da experiência humana, mas que o significado e a maneira como lidamos com ele são cruciais para a nossa saúde mental e emocional. Nas entrevistas, foi possível observar que muitos dos entrevistados encontraram diferentes formas de lidar com as dificuldades impostas pela doença, seja por meio do apoio familiar, da espiritualidade ou da esperança no transplante. Ademais, Frankl também coloca o sentido da vida como um fator de resistência ao sofrimento. Nas falas, é possível perceber que, embora o tratamento de hemodiálise traga várias dificuldades, alguns conseguem encontrar uma razão para continuar, como o desejo de manter-se vivo para seus entes queridos ou a esperança de que um transplante traga uma vida mais
saudável [13].
Para Frankl, a capacidade de dar significado às experiências, por mais dolorosas que sejam, é o que permite ao ser humano transcender suas limitações e enfrentar a adversidade com resiliência. A mudança de perspectiva que alguns dos entrevistados demonstram, ao verem a hemodiálise não apenas como um fardo, mas como um meio para alcançar uma nova oportunidade de vida, é um exemplo claro dessa transformação no sentido do sofrimento.
O processo de adaptação ao novo cenário de saúde é percebido de forma particular por cada um, alguns participantes relataram uma melhoria no bem-estar após a mudança. A adaptação à rotina do tratamento possibilita a continuidade de uma vida próxima a normalidade, permitindo que os pacientes integrem o tratamento à sua vida cotidiana, a ponto de “não lembrar” a sua presença, tratando-o como uma parte natural da rotina. Isso evidencia uma capacidade de resiliência e de reconfiguração de suas atividades diárias, promovendo uma sensação de normalidade e controle sobre a situação.
A adaptação à rotina de hemodiálise é um processo complexo e multifacetado, que não se limita apenas a ajustes físicos e práticos, mas também envolve significativas mudanças emocionais e psicológicas. Ao longo desse processo, muitos pacientes começam a perceber que as limitações impostas pela doença são, em parte, resultantes do tratamento necessário para sua sobrevivência. A aceitação dessas limitações e a construção de uma nova realidade passam a ser vistas como passos cruciais para a adaptação emocional e prática, permitindo aos pacientes desenvolverem uma percepção maior de controle sobre sua situação. Esse entendimento pode ser fortemente relacionado à logoterapia, a abordagem psicológica desenvolvida por Viktor Frankl, especialmente ao seu conceito fundamental de liberdade de vontade.
Frankl destaca, em seus preceitos, a resiliência e a importância de ter um sentido claro na vida, ressaltando que esse fator é determinante para o enfrentamento das adversidades. Em um mundo repleto de distrações, desafios e incertezas, um propósito claro serve como uma bússola, guiando-nos através das tempestades e oferecendo um ponto de ancoragem. Ter um sentido na vida não apenas enriquece nossa existência diária, mas também fortalece nossa resiliência, capacidade de adaptação e bem-estar geral. Em última análise, Frankl enfatiza que a Logoterapia nos lembra que, na experiência humana mesmo em momento de doença, está a busca eterna por significado, e é essa busca que nos define, nos motiva e nos transforma [14]
Ademais, a ideia de que as limitações decorrentes da hemodiálise estão diretamente relacionadas ao tratamento e acaba favorecendo de forma direta a aceitação da doença. Pacientes que compreendem que a hemodiálise, embora dolorosa e desgastante, é uma parte necessária para a manutenção da vida, podem ajustar sua percepção de controle e buscar um significado maior no processo. Esse conceito de “buscar sentido” também é central na logoterapia de Frankl, que considera o sofrimento como uma parte inevitável da experiência humana, mas que pode ser transformado em uma oportunidade para o crescimento pessoal e espiritual. Em situações de sofrimento extremo, como o enfrentado pelos pacientes em hemodiálise, argumenta-se que o ser humano tem a capacidade de transcender a dor, encontrando um propósito maior em meio ao sofrimento [10].
Um estudo ressalta que a efetividade da hemodiálise está diretamente relacionada à assistência prestada pela equipe de enfermagem [15]. O sucesso do tratamento depende não apenas dos aspectos técnicos, mas também do suporte emocional oferecido aos pacientes, tornando o papel da enfermagem essencial nesse processo. Além disso, destaca-se que o apoio familiar contribui significativamente para a adesão ao tratamento e para o bem-estar emocional dos pacientes [16], o que corrobora com os depoimentos dos participantes desta pesquisa.
Dessa forma, os resultados obtidos neste estudo reforçam a teoria de Frankl ao demonstrar que, mesmo diante de desafios extremos, os indivíduos são capazes de ressignificar sua experiência, encontrando novas razões para viver. Como Frankl afirma: “Quem tem um porquê para viver pode suportar quase qualquer como.” A busca por esse “porquê” é o que sustenta os participantes em sua jornada de adaptação, aceitação e superação do sofrimento diante do tratamento hemodialítico.
A pesquisa contribui para uma melhor compreensão da resiliência na hemodiálise, evidenciando a relevância do apoio social e do cuidado holístico. Com base na teoria de Frankl, o estudo sugere aprimoramentos nas práticas de enfermagem, enfatizando um cuidado mais humanizado e centrado no paciente. Além disso, destaca a importância da enfermagem na formulação de planos terapêuticos que integrem não apenas o tratamento físico, mas também abordagens psicossociais que auxiliem na adaptação e qualidade de vida desses pacientes.
Ressalta-se a necessidade de novas pesquisas voltadas ao desenvolvimento de estratégias de apoio psicológico e social para pacientes em hemodiálise. A criação de novos significados e a construção da resiliência são fundamentais para a melhoria da qualidade de vida, podendo fornecer subsídios valiosos para políticas públicas de saúde e para a capacitação de profissionais que atuam no cuidado de pacientes em tratamento crônico, promovendo abordagens mais eficazes e humanizadas.
A pesquisa sobre o sentido da vida em pacientes que realizam hemodiálise revelou que, apesar das dificuldades físicas da doença renal crônica, esses indivíduos conseguem encontrar formas de adaptação e significado em suas novas realidades. Esse processo exige um esforço contínuo, tanto emocional quanto psicológico, para enfrentar as incertezas e desafios impostos pelo tratamento, sendo o apoio de familiares, amigos e profissionais de saúde um fator essencial na construção da resiliência. A busca por significado, conforme descrita por Viktor Frankl, torna-se central, pois os pacientes que descobrem um novo propósito demonstram maior capacidade de enfrentar o sofrimento e manter sua recuperação e bem-estar.
Conflitos de Interesse
Os autores declaram não haver conflito de interesse.
Fontes de Financiamento
Não houve financiamento.
Contribuição dos autores
Concepção e desenho da pesquisa: Peixoto TF, Silva LHR, Silva GV, Bezerra TSC, Santana HP, Raimundo ACL, Barros DS, Barros MCS; Obtenção de dados: Peixoto TF, Silva LHR, Silva GV, Bezerra TSC, Santana HP, Raimundo ACL, Barros DS, Barros MCS; Análise e interpretação dos dados: Peixoto TF, Silva LHR, Silva GV, Bezerra TSC, Santana HP, Raimundo ACL, Barros DS, Barros MCS; Redação do manuscrito: Peixoto TF, Silva LHR, Silva GV, Bezerra TSC, Santana HP, Raimundo ACL, Barros DS, Barros MCS; Revisão crítica do manuscrito quanto ao conteúdo intelectual importante: Peixoto TF, Silva LHR, Silva GV, Bezerra TSC, Santana HP, Raimundo ACL, Barros DS, Barros MCS.
Referências
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